Dom e Mercedes – O cigarro

Uma história por três pontos de vista, por mim, Thaíssa e André.

E dançaram. Quando dançavam, todos paravam. Todos observavam. Todos sentiam. Quando dançavam, nada mais importava. Todo o furor dos espectadores, que aplaudiam e gritavam fervorosamente, era convertido em um silêncio cortante na mente dos dois. A química entre Mercedes e Dom era óbvia até para o mais ingênuo dos tolos. Por entre o vestido esvoaçante e os rápidos movimentos certeiros, seus lábios ousaram tocar-se por uma fração de segundo. E, naquele instante, as pernas dela tremeram por uma fração de segundo ainda menor. Porque nada nunca deveria estragar a dança.
– “Vamos fingir que essa música não vai acabar. E não precisaremos ir embora nunca.”
Essas palavras, sussurradas por Dom, acompanhadas pela mão dele deslizando levemente por debaixo de sua saia, levaram Mercedes a um nível de êxtase ainda não conhecido por ela. O pensamento de converter a dança pública, no meio do salão, em uma dança íntima, no camarim de Dom, passou pelas cabeças dos dois mais de uma vez. Como sempre acontecia quando dançavam juntos. Mas dessa vez era outra coisa, algo muito mais forte e incontrolável do que eles já sentiram antes. Já era difícil até se concentrar nos passos. Foi a dança mais longa de suas vidas.
– “Se pudesse ver o animal em que você me transforma… Eu segurei, mas você acabou o libertando.”
Mercedes dizia, quando os já estavam sozinhos. O icônico vestido branco, aberto nas pernas, justo na cintura e apertado nos seios, jogado no chão enquanto ela violentamente rasgava a camisa dele.
Algum tempo depois, Dom acendeu um cigarro. Mercedes havia negado uma tragada quando lhe foi oferecida. Ela pensava e se torturava sobre o que os dois haviam feito, entregando-se à luxúria dessa forma. Finalmente, Mercedes se levantou e se vestiu. Ia virar-se para se despedir, mas achou melhor não o fazer. Maquiou-se, murmurou algumas palavras de adeus e poucos passos depois estava a caminho de sua casa.
Antes mesmo de estacionar o carro, seu telefone tocou. Atendeu mecanicamente sem reação alguma. Lágrimas se formaram em seus olhos e Mercedes se pôs novamente dirigindo o mais rápido que podia, a caminho do hospital. A camisa rasgada, o vestido, os gritos e ovações do público, a dança – de repente, nada mais importava. Dom estava em uma cama de hospital entre a vida e a morte.
Mercedes acendeu um cigarro.

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Sobre Isaac de Moraes

Procurando por algo, continua incessante Sem saber o que seja, continua incompreendido Mesmo decidido segue errante
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Uma resposta para Dom e Mercedes – O cigarro

  1. Thaissa disse:

    Então quer dizer que a Mercedes é toda safadinha. *-*
    AUSHUAHSUAUS ♥

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