“Aquela noite a minha última música tocou!”

O que era?
Parecia um dragão tatuado. Não! Dois dragões se entrelaçando… Percebi quando encontrei duas cabeças.

“Não vai parar de olhar?” Ela falou.
“Posso?” Eu disse.
Ela riu daquilo. Mas que merda, ela parecia me sugar. A energia que tinha, que me mantinha em pé e que me fazia falar, parecia compartilhada com a dela.

Alguém abriu a porta e som lá de fora entrou de prontidão! Ela se assustou e vestiu a blusa que quase não vestia.
Eu logo tratei de me esconder atrás dum barril de chopp. Covarde!

“Vadia” A voz masculina falou
“Me deixa em paz, se enxerga” Ela retrucou.

Logo os insultos se transformaram em beijos e calafrios. Meu corpo suava e meu coração acelerava. Não sabia se era ciúme ou medo.

Ouvi um suspiro mais profundo, como se faltasse ar, sei lá! Profanei o olhar nela e lá estavam os dragões manchados de sangue quente. O corpo soltava um vapor.

Corri para a porta, de relance vi a faca brilhar na mão do careca que se dizia “poeta”, era ele mesmo! Canalha! E eu um covarde!

Abri a porta, a luz verde do salão enorme me fustigava os olhos, a batida da música me doía os ouvido além das lagrimas que corriam minhas bochechas.
Um agarrão pela jaqueta me tirou da corrida, estava morto!
Mas a sorte ainda era minha, ainda.
Era um maluco, totalmente dopado distribuindo o LSD dele pra qualquer um. Não recusei horas! Engoli com a cerveja que peguei na mão da menina do lado e corri!
A música era Shadowplay, irônico! As ruas esperavam por mim lá fora!

Mas infelizmente, elas iriam esperar mais um pouco.
Minha cabeça começou a ficar agitada e a visão não parecia mais a mesma.
Todas as faces daquele galpão caótico e barulhento estavam me encarando de maneira diabólica. Olhei para trás, olhei também para os lados, e nada do careca.

Joguei a cerveja quente no chão, já que ela não me agradava mais. E então decidi procurar por um banheiro. Masculino ou Feminino? Tanto faz, queria eliminar o peso que estava dentro de mim.
.
As luzes psicodélicas já estavam me atormentando e contribuindo para o meu mal estar um tanto prazeroso. Para chegar ao banheiro, foi preciso andar cambaleando e ao mesmo tempo empurrar e esmurrar as pessoas. Elas pareciam estar fora de si próprias…
Mas eu não as culpo, eram apenas animais sedentos por sexo, drogas e música… Assim como eu naquela noite.

O banheiro tinha aspecto escuro se apresentava na sua forma mais detestável e nojenta possível. O odor era um tanto desagradável, mas enquanto eu urinava naquela privada imunda e cheia de merda humana, eu conseguia de certa maneira agüentar o cheiro. Subi o zíper. E logo depois, me olhei no espelho que tinha uma mancha embaçada e escura. Vi que meus olhos estavam pesados… ‘’Eu estava chorando?’’
Não me conformo… Havia derramado lágrimas por uma prostituta fedorenta. Devo admitir que a beleza oriental da moça era rara, mas seu valor era um tanto desprezível.
A beleza estava morta. Seu corpo havia sido esfaqueado e eu não tinha feito nada para impedir o tal assassinato.

‘’Oh Meu Deus! Ela esta morta!’’ Gritou uma mulher, lá fora na pista após ter encontrado o corpo que eu toquei horas atrás. Bom, era hora de fugir daquela festa, balada, seja o que for o local em que eu estava.

Abri a porta do banheiro dando risada. Minha fala saia um tanto embolada, pois parecia que a minha língua havia inchado. E eu pensando que a minha vontade de urinar tinha passado… Enganado, eu me vi urinando nas calças. Ignorei rindo.
O efeito do LSD já estava presente.

Logo de primeira. Percebi que a confusão não estava somente em minha mente, mas também dominava a pista de dança. Pessoas corriam loucamente para todos os lados.
Meu corpo devia ter batido em umas mil pessoas. Mas era como se eu não ligasse… Alias tudo estava em câmera lenta, não? Bom, um grito que veio na minha direção me chamou atenção. No meio de tanto barulho, aquela frase foi a única coisa que eu consegui escutar com perfeição. A frase veio de um jovem rapaz calvo e preocupado.

‘’Foi ele! Ele esfaqueou a garota! Não deixem que ele escape!’’
Em seguida, eu olhei para os lados e observei tonto uma multidão de pessoas furiosas correndo violentamente até mim. Tentei falar algo, mas nem eu entendi muito bem, o som que eu fizera com a boca.

Um impacto atingiu meu crânio com força. No momento eu estava caído e olhando para as luzes no teto. E novamente, todas as faces daquele galpão caótico e barulhento estavam me encarando de maneira diabólica. Meu corpo estava sendo pisoteado e tratado com uma violência mútua e vingativa. Meu rosto encharcado de sangue estava alegre e subitamente possuído pelo efeito maldito daquela droga. Não consegui me defender dos grandes golpes aplicados em meu estômago, genitais, nos braços e pernas. A minha busca por todos os prazeres daquela noite poderia terminar ali naquela pista de dança medíocre ou iria continuar depois que eu morresse. Alias… Nunca pensei que estaria narrando a minha própria morte para você. Nem meus próprios prazeres e sentimentos.

Por Isaac de Moraes e Fernando Sararoli

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Sobre Isaac de Moraes

Procurando por algo, continua incessante Sem saber o que seja, continua incompreendido Mesmo decidido segue errante
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9 respostas para “Aquela noite a minha última música tocou!”

  1. Thaissa. disse:

    O que será que acontece quando uma garotinha delicada, inocente como leu le um conto desses ? [ ELA NÃO DORME POR DIAS E TEM MEDO DE SUA PRÓPRIA SOMBRA! ]

    Obrigada, Isaac querido, por me fazer sentir essa sensação de medo, misturada com uma coisa trash.. junto com algumas pitadinhas de GOSTO!
    Essa literatura sua, ainda vai longe!
    VEM LOGO PEDIR A MINHA MÃO EM CASAMENTO, meu pai tá ficando nervooso. UAHSUHAUHSUAHUA \o/
    AMO VOCÊ, ♥

  2. Thaissa. disse:

    PS: EU ADOREI O CONTO POR INTEIRO. \o
    Apesar do começo ter me prendido um pouco mais. \o

  3. Téjoker. disse:

    Me lembrou tanto o Ian Curtis, OMG, muito bom, ele covarde, medroso, observando sua propria imagem.

    hm, gostei mesmo, parabens.

  4. Nayla Alana disse:

    Adorei o conto! continuem escrevendo que eu vo ler tudo *-*

    Fernando se revelando como escritor haha
    parabéns 🙂

  5. Fernando Sararoli disse:

    Posso dizer que esse conto foi o primeiro que eu ajudei a finalizar em parceria com alguém. E fico feliz em dizer que esse ‘alguém’ foi o Isaac. Para uma primeira vez, até que fico muito bom. Não vejo a hora da gente escrever mais coisas juntos.

    Sucesso para voc o/

  6. browcaos disse:

    Valeu pessoal! Foi foda participar disso tudo!
    Fe, que a parceria continue!

  7. talita disse:

    affe Fee, muito bom seu conto meu, seu e do se amigo *-*

  8. Douglas disse:

    Ficou muito boa a histórias de vocês gostei de verdade, gosto de histórias que me façam imaginar a sena e que não sejam monotonas e a de vocês me surpeendeu.Indicarei para amigos.
    Parabéns

  9. @darth_gabys disse:

    Poxa, quase senti todos os odores, dores e prazeres descritos no seu texto. Parabéns, incrível como vc mantém a linha de raciocínio e envolvimento com cada cena do primeiro parágrafo até o último! Voltarei mais vezes, seu tipo de texto descritivo me chamou muito a atenção…Talvez seja porque a maioria dos meus também sejam assim, qnd tiver um tempo, da uma olhada.

    até mais

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