Ofélia no campo de begônias

Ofélia colhia flores de propósito num campo de begônias misturada entre as outras mulheres dali.
Enquanto enchia a cesta que levava nos braços esperava, inquieta, uma visita que descia a colina a passos largos.
-Finalmente veio – disse Ofélia a um homem de meia idade com roupas pobres e aparência leviana – Trouxestes o que pedi?
-Sim, consegui!
O homem tirou do bolso três sementes do tamanho de um olho e as entregou.
-Oh, que lindas são! – ela as acariciava
-Agora me de o que combinamos!
-Sim, sim. Se for o que queres!
A bruxa retirou uma flor do cesto e disse:
-Para o trouxa, uma flor roxa. E que o amor brote de onde nunca estivera antes.
-É sua, dela será seu jardim!
O homem corre sem sequer perceber o espinho a lhe furar o dedo e enraizar em sua mão, como num vaso. De longe Ofélia o vê a sacudir as mãos e tentar arrancar a pobre planta de seu solo, mas é tarde. As raízes já se espalhavam por veias e órgãos, o homem cai de joelhos entre as outras flores, como mais uma delas.
-Que belo vazo darás esse invólucro, que era seu corpo sem amor! – Ofélia se foi.

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Sobre Isaac de Moraes

Procurando por algo, continua incessante Sem saber o que seja, continua incompreendido Mesmo decidido segue errante
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