Anéis de solidão

Das tristes triviais manhãs de domingo nasceram três peças de raro valor, canalizadas por um ourives que trabalhava só e que pouco trabalho tinha.
Depois de finamente lapidadas foram amarradas a fios de metal, que juntos, formavam um pequeno orifício, formando num anel.
O ourives não tendo para quem dar as preciosidades, empoleirando-se na janela dos fundos, despediu-se, e triste, as jogou no córrego que corria beirando o chalé.
As três, por destino, se emaranharam e juntas desceram a tropeços nas pedras do caminho.
Chegaram então num grande lago nos limites da cidade, e lá se soltaram.
Cada uma se acomodou num canto:
Uma no lodo do mais profundo chão do lago, entre algumas pedras musgosas. Outra se enroscou entre algumas algas logo na superfície. A terceira foi engolida por um peixe azul que faminto ali passava.
Sozinhas, inertes, ocupavam seus lugares até que a tristeza do domingo, matéria prima das gemas, agitou-se e assim transformou o lago num grande Resort ,onde nele, o ourives gozaria pelo resto dos dias.

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Sobre Isaac de Moraes

Procurando por algo, continua incessante Sem saber o que seja, continua incompreendido Mesmo decidido segue errante
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