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Jarro

Lindo era o jarro grego
Amado das ninfas e poetas
Negro e ocre, cenas de batalha
Olimpiano, limpíssimo

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a ânsia desmedida do calor

O calor se move com as mariposas.
Se alimentam de vida escassa e pólem, voam rotos, juntos, em busca de luz pra crescerem e se agigantarem.
O calor se apossa, toma de conta sem prévio aviso, se apodera, expande e precisa urgentemente de espaço.
Age inconsequente: Invadindo casas, suando, copos e corpos gelados, embolorando matéria e miséria.
Mas é bálsamo: Força idas à água, cora ombros incolores, abre os poros das flores, jogando no ar odores, entre outros mil fatores.
Em suma, é prévia de chuva.

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esparramada na mesa, a água formava o mapa da Austrália

um sinal: de que deveria limpa-la
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a teimosia eterna das ondas

Chegam duras e pesadas ou altas e suaves.
Surgem pequenas, engordam e crescem. Correm desvairadas.
Levam, quando delicadas, conchas e cacos em redemoinho.
Quando impetuosas, colares, pedras, barcos, braços, pernas e moças.
Quebram, sucumbindo diante o próprio peso: Dobram.
Seguem plácidas. Lambem, em circunferência, a areia seca e voltam.
Reprimidas, voltam ao mar, pai que as recolhe como roupas de volta ao cesto.
Incansáveis, correm, em léguas, grandes distâncias.
Não caminham reto, seguem num eterno vem-e-vai, que atrai e devolve.
Espumam como um sabão. Lavam a pele.

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o trabalho árduo do vento

Um dia, um vento veio de longe atravessando ruas vazias.
Rasgando o espaço entre as sarjetas, enchendo as calçadas uivantemente calmo.
Flutuando, pulou o portão sem freio e invadiu a janela desnuda com um sincero frio sereno.
Aconchegou-se no edredom. Entre as pernas do homem. Nos vãos dos armários e no piso estático.
Voltou a se agitar quando um vento irmão, particularmente igual, se mostrou na janela.
Como dois corpos não ocupam o mesmo amor, diz uma lei que se aplica, saiu por onde entrou.
Apressado, se esfregou nas folhas da laranjeira e na estrutura oca do mensageiro-dos-ventos, deixando um rastro sonoro de conforto.

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Resquício

Annex - Gable, Clark (Gone With the Wind)

A vida ganhando formato
Ávida por um novo estado

Desbarranca
Aos poucos se desprende

Se constrói assim
Ao contrário, das perdas
Cai, mas não abala

Eu deixo ir
Ela finge que se esvai

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A fita mostrou os beijos e o casamento, a familia mimada e o ventre que permaneceria vazio até o fim da vida!

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fu-tu-ro pt2

O calor já se mostrava na saída do avião. Ele tirou a blusa velha de lã que vestia e a carregou no vão das alças da bolsa de mão.
Não muito depois já estava num taxi e com poucas palavras mostrou o endereço do hotel ao taxista que seguiu viajem.
O hotel, barato, o satisfez! Era disso que gostava! uma cama um armarinho e uma tv sobre a penteadeira. Um banheiro com chuveiro, pia e sanitário. Sua janela pousava sobre o letreiro de neon, no quarto andar, molhando aquela noite que começava com um piscar incessante de azul e vermelho. Não demoraria ali.
Desceu a recepção com seu caderninho, que anotava de tudo, e dele retirou um numero ao qual ligou.
Com o inglês que tinha pediu para que chamassem Thaíssa.

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weird new novel

Com alguns passos atravessou no meio da calçada mesmo, ninguém viu. Ela também não tinha ido longe, a rua era a mesma, as pessoas, os cheiros, tudo.
Mas atravessara e  sentira em sua mão fechada o incomum, o verdadeiro significado daquela porta de vinil. A coleira de pelica adornada de lantejoulas jade segurando pelo pescoço o inexpressível homem-pomba.

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