o trabalho árduo do vento

Um dia, um vento veio de longe atravessando ruas vazias.
Rasgando o espaço entre as sarjetas, enchendo as calçadas uivantemente calmo.
Flutuando, pulou o portão sem freio e invadiu a janela desnuda com um sincero frio sereno.
Aconchegou-se no edredom. Entre as pernas do homem. Nos vãos dos armários e no piso estático.
Voltou a se agitar quando um vento irmão, particularmente igual, se mostrou na janela.
Como dois corpos não ocupam o mesmo amor, diz uma lei que se aplica, saiu por onde entrou.
Apressado, se esfregou nas folhas da laranjeira e na estrutura oca do mensageiro-dos-ventos, deixando um rastro sonoro de conforto.

Sobre Isaac de Moraes

Procurando por algo, continua incessante Sem saber o que seja, continua incompreendido Mesmo decidido segue errante
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